Graças a exercícios e dieta saudável, povoado da Bolívia tem corações mais saudáveis do mundo

Foto: Michael Gurven / AP

Um estudo divulgado na última semana pela revista científica The Lancelot, realizado com indígenas da etinia tsimane, que habitam a Amazônia boliviana, concluiu que  seus habitantes possuem os corações mais saudáveis do mundo. O segredo deles é bastante conhecido mas ainda pouco praticado pela maior parte da população mundial: exercícios e dieta saudável. O estilo de vida dos tsimane guarda muitas semelhanças com o dos nossos ancestrais.

A população atual dos tsimane está estimada em 16 mil. Eles caçam, pescam e cultivam seu próprio alimento ao longo do rio raniqui, na floresta amazônica da Bolívia. Os dados da pesquisa concluíram que praticamente nenhum tsimane tinha sinais de artérias entupidas ─ inclusive aqueles com idade avançada. “É uma população incrível” com dietas e estilos de vida radicalmente diferentes, dizem os pesquisadores. Eles vivem em pequenas comunidades, socializam bastante e mantêm uma perspectiva otimista para a vida. Mas é uma vida simples e bastante diferente do que hoje as pessoas buscam. Eles moram em cabanas de palha, sem eletricidade ou conveniências modernas. Suas vidas são gastas em caças que podem durar oito horas, percorrendo até cerca de 18 km para caçar cervos selvagens, macacos ou tapirus e limpar grandes áreas da floresta com seus machados, além de colherem bagas. Mas a vida simples é bastante ativa, o que faz deles os humanos com corações bem mais saudáveis do que boa parte da população mundial.

Para chegar às conclusões da pesquisa, os cientistas observaram o nível de cálcio nas artérias dos tsimane – que indica o sinal de entupimento dos vasos sanguíneos e o risco de parada cardíaca. Eles examinaram o coração de 705 integrantes do povoado indígena por meio de tomografia computadorizada – e também receberam a ajuda de um grupo de pesquisa com experiência na análise de corpos mumificados.

Aos 45 anos, quase nenhum tsimane tinha cálcio nas suas artérias, comparado a 25% dos americanos. E quando atingiram a idade de 75 anos, dois terços dos tsimane não apresentavam nenhuma formação de cálcio no coração, comparado a 80% dos americanos. Um dos pesquisadores, Michael Gurven, professor de antropologia da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, disse à BBC que o nível de cálcio no coração dos tsimane “é muito menor do que em qualquer outra população do mundo para a qual existem dados”. “As mulheres japonesas são as que chegam mais perto (dos tsimane), mas mesmo assim há um oceano de distância”, acrescentou.

“Este estudo sugere que a aterosclerose coronária poderia ser evitada se as pessoas adotassem alguns elementos do estilo de vida dos tsimane, como manter o colesterol LDL, a pressão arterial e o açúcar no sangue em níveis muito baixos, além de não fumar e ser fisicamente ativo”, explica o doutor Gregory S. Thomas, responsável pela investigação. O Dr. Joep Perk, cardiologista da Universidade de Linnaeus, na Suécia, resumiu as descobertas da seguinte forma ao canal de notícias Al Jazeera: “Há uma tendência a culpar seus genes por problemas cardíacos, e o que esse estudo nos mostra é que você não pode culpar seus pais, apenas seu estilo de vida”.

Um fator importantíssimo para tamanho reconhecimento do estilo de vida tsimane é o fato de que esses índios praticam muito exercício físico. Para se ter uma ideia, especialistas aconselham que as pessoas deem pelo menos 10 mil passos diários para manter um estilo de vida saudável. Os homens tsimane dão 17 mil passos por dia, e as mulheres 16 mil. Até os maiores de 60 anos têm um desempenho bem acima do recomendado: 15 mil. Um nível bem superior à média da população mundial, já que a maioria das pessoas não chega nem à metade de passos diários recomendados. Eles passam de seis a sete horas por dia praticando atividades físicas. “Diria que precisamos de uma abordagem mais holística em relação ao exercício físico do que simplesmente praticá-los no fim de semana”, diz Gurven.

O resultado de dieta boa mais atividade física resulta em uma população com 85% de habitantes sem risco de doenças cardíacas, 13% com risco baixo e meros 3% com risco moderado ou elevado. Para efeito comparativo, nos Estados Unidos, apenas 14% da população não corre risco algum e mais da metade está com o risco nas alturas. “O mundo moderno está nos mantendo vivos, mas a urbanização e a especialização da força de trabalho podem ser novos fatores de risco (para o coração)”, acrescenta Gregory Thomas.

Fonte: Blog Fala Fisio

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